Em janeiro comemoramos o aniversário do Bairro de Santo Amaro. Aproveitamos para falar de um personagem que representou nossa Região, e participou da História do Brasil no desbravamento da região que hoje é o Estado de Minas Gerais.
Borba Gato
Era Manuel de Borba Gato filho de João Borba e de sua
mulher Sebastiana Rodrigues e foi casado com Maria Leite, filha de Fernão Dias Pais.
Acompanhou seu sogro ao sertão à mando do governador de São Paulo, Afonso Furtado de
Castro, procurar a mítica serra de Sabarábuçu, jázida de esmeraldas e prata, isto de
1674 a 1681.
Após a morte de Fernão Dias, por ocasião da ida da administrador-geral das minas
D. Rodrigo de Castel Blanco àquele sertão, teve desentendimentos com esse delegado
régio, devido a sua inação em fazer entradas no sertão para procurar esmeraldas
resultando mata-lo, numa estrada que ia ter ao arraial do Sumidouro, em 28 de agosto de
1682.
Por esse crime foragiu-se para o sertão do rio Doce e sómente em 1700 reapareceu no
povoado, recomendando o governador do Rio de Janeiro que se fizesse silêncio no seu
processo, no interesse dos descobrimentos de ouro que fizera e desde 1678 vinha tentando
no rio das Velhas e na chamada serra de Sabarábuçu. Mas sómente em 1700 trouxe ele a
São Paulo, apresentando a Artur de Sá e Meneses amostras de ouro paliado, regressando
logo a seguir para o sertão da Sabarábuçu, (autal Sabará /MG) em companhia de seus
genros Antônio Tavares e Francisco Arruda.
O fato é confirmado pela carta de sesmaria passada à Irmandade de Santo Antônio
do Bom Retiro, da matriz de Roça Grande, por Antônio Coelho de Carvalho, em 7 de
fevereiro de 1711, na qual se diz que foi ele o primeiro povoador e minerador do rio
das Velhas (atual Sabará/MG). Por provisão de 6 de março de 1700 foi Borba Gato nomeado
guarda-mor desse distrito e pela de 9 de junho de 1702, superintendente das minas do
mesmo rio. Pela carta de 18 de abril de 1701, Artur de Sá e Meneses autorizou-o à posse
das terras "terras entre os rios Paraopeba e das Velhas, chapadas da serrania de
Itatiaia".
Teve ainda Borba Gato carta régia de elogios pelos serviços prestados, ocupou várias
vezes a superintendência geral das minas, foi provedor dos defuntos e ausentes e
administrador das estradas. Criou nas suas terras duas grandes fazendas, a do
"Borba" no ribeirão do Borba e a do "Gato", no distrito do
Itambé.
Faleceu segundo Diogo de Vasconcelos em 1718, quando exercia o cargo de juiz
ordinário da vila do Sabará, tendo cerca de noventa anos de idade.
Segundo registros encontra-se enterrado em Paraopeba/MG e em Santo Amaro, é o
guardião na entrada do Bairro em uma obra do nosso escultor Júlio Guerra , na
confluência das Avenidas Adolfo Pinheiro e Santo Amaro.
Bibliografia:
1. TAUNAY, Afonso - História das Bandeiras, São Paulo, 1975. 3v.
2. FRANCO, Francisco de Assis - Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil,
São Paulo,1989.
3. MARQUES, Manuel - Apontamentos Históricos, Geográficos, Estatísticos e
Noticiosos da Província de São Paulo. São Paulo, 1978.2v.
Pesquisa:
Míria de Moraes - Bibliotecária
Thiago Luz Bronzoni - Filósofo
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