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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Janeiro 24, 2002
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O CETRASA (Centro das Tradições de Santo Amaro) estará promovendo um chá e uma tarde de entretenimento para os Santamarenses no dia 8 de maio próximo futuro, em sua sede sita na Av. Alceu Maynard de Araújo, n°. 32, esquina com a Rua João Carlos da Silva Borges, Vila Cruzeiro, Santo Amaro. O evento terá início às 14h, e a adesão pode ser feita pelo telefone 5642.2214 e 5686.6474, com Isabel ou Dr. Alexandre. Compareçam!!!
O Cetrasa não é apenas uma saudade de tudo aquilo que vivemos no passado, sobretudo em nossa juventude. É mais que isso! É o respeito que cultuamos pelos nossos avós e nossos pais, pela vida simples que viveram, pelos ensinamentos de vida que nos legaram, pelas lições de caráter e de honestidade e vontade de trabalhar e progredir. E como os antigos teriam ensinado aos seus filhos o modo santamarense de viver? Contando histórias, que hoje mais parecem de contos de fada. Diziam eles aos seus filhos, que em Santo Amaro tinha um largo, onde em seu seio se sobressaía a construção de uma linda Igreja, em cuja torre, que jazia permanentemente apontando para o céu, tinha um sino que, de meia em meia hora badalava, , não só para alertar que o tempo estava passando, mas que também servia para chamar aos fiéis para irem à casa de Deus, adorá-lo e pedir perdão pelos seus pecados. Contavam também às crianças que o melhor modo de irem para o Centro da cidade grande era usando o bonde elétrico, um simpático trambolho sobre trilhos, que, no trajeto, ia chacoalhando as pessoas, como se tivesse ninando crianças para dormir. Esse chacoalhar, mais a monotonia da viagem, provocava nas pessoas que dentro dele viajavam uma deliciosa preguiça e que seus viajantes só não dormiam, porque faziam o trajeto distraídos com os cartazes de propaganda internos do bonde, lembrando produtos como, por exemplo, o “Saponáceo Citopox”, a “Cera Parquetina” , a “Pomada Minâncora” e o “Óleo de Fígado de Bacalhau”. Repreendiam, veementemente, aos seus filhos e netos que se divertiam com a perigosa brincadeira de colocar pedras sobre os trilhos desses bondes, e corriam atrás das moitas para se esconderem e verem o bonde destruí-las. Falavam, esses ante-passados aos seus filhos, de grandiosas quermesses ao redor da Igreja, sob inúmeras bandeirolas que enfeitavam o entorno da Casa de Deus. No meio daquele largo, hasteava-se um pau ensebado, para os jovens mais afoitos escalarem em busca do prêmio pendurado em seu ápice, que geralmente era um frango assado recheado com farofa ou uma outra prenda qualquer. Diziam da alegria que tinham ao recepcionar os sitiantes que chegavam para festejar em seus carros de boi, puxados por animais que davam tanto orgulho aos seus donos e que lhe faziam brilhar os olhos. O respeito era tanto, que todos beijavam a mão do Sacerdote, que se prostrava diante da Igreja para recepcionar os festeiros com seus “botinaços” amarelados. Isso tudo é apenas um pouquinho do que poderíamos estar contando dos nossos queridos velhos ante-passados. O espaço é pequeno, mas ainda contaremos muito mais. Por esse pouco, pelo menos eu, tenho muito a agradecer aos queridos Santamarenses que fizeram nossa história.
Tcháu!!!!
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