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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Agosto 15, 2003
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Para muitos Santamarenses de hoje, o nome Francisco José Salles não os reporta a qualquer fato, acontecimento ou lembrança que faça elo com a história do bairro. Mas para o antigo Município de Santo Amaro, no começo do século passado, mais precisamente nas décadas compreendidas entre 10 e 50, Francisco marcou presença de destaque na composição da nossa história. “Meu avô, - diz sua neta, Rita de Cássia Oliveira - carinhosamente apelidado de “Chico Turco”, tornou-se conhecido na comunidade, na época, por ter trazido para cá a arte dos espetáculos e o primeiro cinema que foi instalado em Santo Amaro. Jovem, vindo do Líbano, com muita vontade de crescer neste novo mundo, como tantos outros, iniciou sua vida profissional como mascate. Casou-se com D. Belarmina de Oliveira, nascida no Embu das Artes e teve com ela treze filhos, entre os quais a saudosa Salvatina e Dona Neide, minha mãe. A família, que era estabelecida na antiga Rua Direita (Capitão Thiago Luz), tinha ali um grande armazém de “secos e molhados”. Certa feita, fazendo suas compras na Rua 25 de Março, encantou-se com o que, na época, chamava-se de “lamparina mágica”, que nada mais era do que o embrionário da nobre arte de projeção cinematográfica no mundo. Sem saber direito do que se tratava, adquiriu um daqueles apetrechos, e o trouxe para sua terra, iniciando uma nova atividade, que marcaria a história em nosso bairro cidade. No começo, era o Cine Rio Branco, que mais tarde tornou-se Cine São Francisco, sala de espetáculos nunca mais esquecida pelos Santamarenses que a conheceram...”. Note-se que Francisco José Sales foi um homem que viveu além de seu tempo, sobretudo pelo fato de que, se não fosse por ele, Santo Amaro jamais estaria estado tão perto dos grandes ídolos da época, como Grande Otelo e Oscarito, Anquito, Dercy Gonçalves e Mazzaropi. Também jamais teria tido contato tão íntimo com Tônia Carrero e Anselmo Duarte, Emilinha Borba e Marlene e Cil Farney, todos da grande e inesquecível empresa cinematográfica Vera Cruz. Em decorrência da grande importância que teve Chico Turco em nossa terra, este espaço é muito pequeno para falar tudo o que temos a dizer sobre esta ilustre figura de nosso passado recente, razão porque ainda voltaremos a lembrá-lo nestes nossos modestos escritos. Com muita saudade, aguardo vocês na próxima Coluna.
Tcháu!!!! Roberto Pavanelli.
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