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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Novembro 28, 2003
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Havia um padre português que, há mais de 450 anos, resolveu cumprir sua missão evangélica de catequizar os desconhecidos povos de um Continente não menos desconhecido, que se chamava América, do Sul claro. Resolveu esse padre vir a tão distante local, por conta de sua coragem e de sua fé, já que não fosse por ela, talvez não tivesse tanta coragem assim. Chegando no litoral paulista, subiu o morro e, seguindo os rios que encontrou, acabou chegando num local, que deve ter achado muito bonito e ficou sua cruz de fé em Jesus. Somente depois é que foi em frente, acabando por chegar próximo a um vale onde novamente fincou sua cruz de fé e fundou o colégio que deu origem a São Paulo. Esse fato ocorreu alguns anos depois de ter cravado aqui aquele marco de crença, onde depois seria Santo Amaro. Esse santo, no entanto, somente emprestou seu nome ao lugar após a vinda para cá, de outro casal português, João Paes e Suzana Rodrigues, que trouxeram a imagem do referido abade, que aqui fixou residência. Todos eles, conhecidos ou não, jamais imaginariam que mais tarde formaríamos neste solo sagrado, uma grande cidade. Essa cidade porém, foi mais tarde usurpada, passando de grande senhora de seus atos, para mera trabalhadora assalariada, quando perdeu sua autonomia. Segundo a Revista Interlagos de editada em junho de 1962, restaram alguns municipalistas e citando alguns, se refere ao vereador José de Oliveira Almeida Diniz, Antonio e Paulino Bocchiglieri, Theodoro Homano e ainda o Professor Osvaldo Melantônio, sendo que este último, acabou se notabilizando como um dos maiores professores de Oratória de São Paulo. O que essa gente toda jamais imaginaria é que, por força de interesses políticos e econômicos, nunca mais voltaremos a regastar nossa identidade, quer como Município, quer como bairro que tentou conservar seu irrecuperável romantismo e tranquilidade do passado. Nunca, aquela gente que deu origem a este lugar, poderia imaginar que mais tarde nasceria Santo Amaro, um local onde todo o povo se irmanava em amizade e solidariedade, reconhecia e amava seus logradouros, como se fosse os cantos de sua própria casa e, hoje, não consegue reconhecer um deles sequer. Por isso é que sempre repito. Onde está o tranqüilo Jardim dos imorredouros namoros? Onde está a nossa Rua Direita que não vejo mais? Onde foi parar as Padarias 15, Gôa, Alemã entre outras? Cadê o Belo Antônio, apelido do antigo abrigo do Bonde do Largo 13 de Maio? Já não mais vejo o Cine São Francisco, Cine Mar e Marajá... Até a Estátua do “De Pinedo” nos levaram... Tô triste. De tanto recolher-me nas lembranças do passado, vou acabar no divã de um psicanalista. Sé besta, sô!! Roberto Pavanelli.
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