A coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Janeiro 24, 2002

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Em 5 de novembro de 1952, foi aberto um livro de registros de empregados em Interlagos, cujo primeiro empregado ali registrado foi um garçom de nome Erik Zilke. A empregadora, que inaugurava naquele local um restaurante, era a Sra. Helena Lemmerts e seu comércio que acabava de nascer, era o “Bar da Da. Helena”. Logo depois, vindo da Áustria de pós guerra, da cidade de Salz Burg, onde nasceu Mozart, em 1954, aportava no Brasil o casal Rudolf Ruthofer e Eva Maria Ruthofer, que radicando-se em São Paulo, vieram residir em Interlagos, de onde nunca saíram. O Sr. Rudolf, na Europa, tinha a profissão de garçom, enquanto Da. Eva sempre trabalhara em Hotelaria. Esse casal teve no Brasil dois filhos: Runald (1955) e Cornélia Evelim (l966). Aqui chegando, esses austríacos compraram o comércio da Da. Helena e, em 1º de janeiro de 1955, inauguraram o Restaurante TIROL, hoje o último remanescente dos áureos tempos de Interlagos. Naquela época, esse restaurante concorria com o Chayenne e com o Cogumelo, que não existem mais e que foram palco de muitas histórias dos jovens santamarenses de outrora, algumas inconfessáveis, claro! Inconfessáveis no bom sentido, porque, na verdade, são histórias que fazem as boas lembranças da juventude santamarense do passado. O primeiro garçom empregado no Tirol foi Francisco Tobias Fernandes, que também consta daquele primeiro livro de registro. Inicialmente, esse restaurante foi fundado para servir a típica comida austríaca e, apesar da dificuldade da língua, seus donos foram tocando seu comércio, que logo fez muito sucesso. Conta Da. Eva, que os frangos que servia eram criados no fundo do quintal, onde fizeram um galinheiro. Os clientes escolhiam os frangos ainda vivos, para serem preparados por ela e serem servidos à mesa. Lembra ainda a Sra. Eva, que quando inaugurou o Tirol, este ficava num local onde só tinha mato e a população de cobras e outros bichos era farta. Como era contra matar os bichinhos, caçava-os e levava ao Instituto Butantã, que chegou a lhe dar de presente um gancho próprio, para poder recolher os animais com segurança. Dos tempos românticos do passado, em Interlagos só restou o Tirol, que resistindo ao tempo, ainda sob a batuta de Eva Maria Ruthofer, hoje viúva, recebe seus freqüentadores com o mesmo romantismo do passado. Em seu cartão de visitas atual, lê-se “Drinks & Music”, seu eterno lema de sempre. Reverenciamos pois, essa casa, último remanescente do passado inesquecível de Interlagos!

Tcháu!!!
Roberto Pavanelli.

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