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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Julho 18, 2003
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Andando por Santo Amaro outro dia, fiquei espantado com uma grande serpente que rastejava sobre o que me parecia ser um enorme galho de uma árvore. Esse tortuoso galho vinha desde o Colégio Adventista, no Capão Redondo, até as proximidades do Lgo. 13 de Maio, onde entrava por um buraco terra a dentro, como se, dali para frente, fosse a raiz dessa árvore. Reparando melhor, a coisa pareceu-me inacreditável, pois na verdade, tratava-se de um trem sobre uma ponte, que as pessoas, todas estranhas para mim, chamavam de “metrô”. Ora, se esse tal metrô pareceu-me uma serpente, o que parecia então aquele velho bonde que rastejava sobre o leito carroçável da antiga Alameda Santo Amaro? Claro, lembrei-me logo de uma modesta e humilde lagarta que rasteja pelo chão, encolhendo e esticando a corcunda para atingir seu destino, aquele antigo retorno, que chamávamos de balão do bonde, próximo ao Rio Pinheiros, nas proximidades da Capela do Socorro. Como nossa mente está sempre passeando pelo passado, a nos empurrar pelos caminhos da saudade, lembrei-me também, que exatamente naquele buraco, onde aquela serpente se esconde na terra, ou seja, na esquina da rua Barão do Rio Branco com a Avenida Pe. José Maria, morava, na época da minha infância, um sujeito conhecido por Espirro. Seu nome de batismo não consigo lembrar, mas seu apelido refletia bem sua personalidade explosiva e violenta, tendo esse sujeito a fama de ser um grande bandidão. Acontece que, no passado, ser bandido não era ser como aquelas pessoas que matam gente a troco de nada, como nos dias de hoje. Ser bandido era apenas fazer valer a moral da rua, ou seja, ao mesmo tempo em que incentivava uma briga, não deixava que essa briga fosse de dois contra um. Se insisto em ter saudades do passado, é porque nas proximidades desse local, vivenciamos essa semana, um dos mais terrível crimes ocorridos em Santo Amaro, quando à beira do Rio Pinheiros, sob a ponte do Hotel Transamérica, uma jovem foi estrangulada, morta e jogada numa valeta, pela insanidade de um crápula que, nem de longe, lembra o nosso saudoso Espirro, bandido do passado.
Diante de tudo, entristecido, por hoje digo apenas, Tcháu!!!
Roberto Pavanelli.
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