A coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Janeiro 24, 2002

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Lá pelos idos de 1848 apareceu por estas bandas, trazendo em seu bolso trezentos mil réis, o Sr. Joaquim José Alves. Essa bolada que trazia no bolso, ele transformou em 10 alqueires de terra ali na Estrada de Itapecerica, mais precisamente onde hoje é o Hospital do Campo Limpo. Além daquela dinheirama, trouxe também Maria do Carmo, sua mulher e, fixando-se nessa região, teve os filhos Inocência, Francisco e uma moça, que acabou se casando com o João Domingues. Mais tarde, esses herdeiros venderam aquele terreno para uma empresa chamada “Lajes Prel”, que acabou loteando o lugar de onde nasceu a “Vila Prel”. Um dos herdeiros daquela família era o Candú, Cândido Alves da Silva, que herdando o outro lado da propriedade, onde havia uma pequena casa de morada, manteve um sítio onde cultivava um pomar, com uma imensa variedade de frutas. Esse sítio é onde hoje á o Parque Ipê. Antes, porém, do nascimento do Parque Ipê, Candú acabou por ter uma netinha, mais tarde conhecida como Inhá Ignês Beck. As lembranças do pomar desse antigo sítio ainda estão presentes na memória da D. Ignês que, embora tenha nascido aqui no centro de Santo Amaro, as maiores alegrias de sua infância são hoje lembradas nas visitas que fazia ao seu avô, naquele antigo logradouro, misto de morada com paraíso. Entre suas lembranças, está a de que seu avô fabricava farinha naquele sítio, que era transportada ao mercado de Santo Amaro em uma pequena carretilha, com rodinha de madeira. Seu paladar ainda retorna à sua boca quando lembra do bolo de cará que era feito para se comer tomando café, já que durante a segunda guerra, o trigo era escasso e faltava o pão na mesa dos sitiantes. Inesquecíveis também são as festas juninas que se promoviam naquele mesmo sítio, quando se serviam fartos taxos de doce de laranja, cuja originalidade se dava no fato da laranja ser cozida com cabinho e tudo enquanto que quentão era servido em tigelinhas em torno da fogueira. A festa se encerrava às altas horas, com a barulheira dos rojões, com baterias que tinham até 21 tiros de canhão.
E agora, tcháu!!!!
Roberto Pavanelli.

O CETRASA, feliz, agradece a todos que compareceram no chá em homenagem ao dia das mães, cuja renda destinou-se às despesas ordinárias do Museu de Santo Amaro. Agradece, também, a todas as empresas, pessoas e comerciantes que colaboraram com o evento.

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