A coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Outubro 17, 2003

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Como mudam as coisas no mundo! Os valores, as necessidades, os anseios e até os motivos das alegrias e das tristezas, por vezes, se diferenciam de ontem para hoje. A grande parte das necessidades que temos hoje, não tínhamos no passado, e éramos felizes. O grande problema é que éramos felizes e não sabíamos... Que necessidade eu tenho hoje de andar de automóvel, se antes eu podia andar sorrindo à cavalo ou de charrete? Pois é, hoje andar de carro é uma necessidade real, porque eu preciso ganhar tempo para ganhar mais dinheiro, porque inventaram um tal de “Shopping Center” para eu passear aos domingos e lá comprar um monte de bugigangas que nem sempre preciso. Antes eu ia à feira da esquina e na loja de armarinhos chamada “Casa Otelo”. Lembram? Precisava apenas de umas poucas manolitas para comprar os botões e a linha prá costurar minha própria roupa. Talvez seja por isso que em Santo Amaro, em 1951, houve uma festa de formatura que mais parecia formatura de curso de graduação em nível superior dos dias de hoje. A escola se chamava “Escola de Corte e Costura Paulo Eiró” e sua diretora era a saudosa e querida senhora Maria de Lourdes Queiroz, que muito tempo depois se tornou a Senhora Elizeu Schimidt. Mais conhecida como Maria Queiroz, fez história com sua escola de corte e costura, onde grande parte das moças prendadas de Santo Amaro, se formaram na nobre arte de cortar o tecido e costurá-lo, tornando-o deslumbrantes modelos. Havia a revista “Figurino”, onde as moçoilas demoravam horas escolhendo os modelos que melhor lhe cairiam em seus torneados corpinhos, para depois desfilá-los nas festas do Clube Bandeirantes, no Cine São Francisco, ou mesmo nas missas domingueiras. Os modelos mais esportivos eram desfilados nas tardes de domingo à beira da deslumbrante Represa Guarapiranga. Voltando à formatura referida, a festa se deu em 21 de abril de 1951 e teve local no salão da Sociedade Recreativa Municipal. O paraninfo da festa foi o Sr. José Vidal França e contou também com a participação do Cônego Adalberto de Assis Curvelo, pároco de Santo Amaro. Lá estavam entre tanta gente importante o Sr. Ricardo Nascimento, alto funcionário municipal e o jornalista Elisiário Venâncio de Melo, diretor da revista Interlagos, sem a qual eu não poderia, agora, estar contando essa história aos amigos santamarenses. Só para mostrar que até o jeito de falar era diferente antigamente, o Sr. Elisiário assim se expressou, após agradecer as gentilezas recebidas da Senhora diretora: “Quero externar às diplomandas os meus melhores votos de um porvir perenemente venturoso”. Bonito, né? As formandas, nesta data, foram: Clarisse Sgarb, Dulce Dias de Oliveira, Clotilde Formigoni, Gertrudes Sgarb, Hermengarda Groner, Ilde Formigoni, Lázara Lourdes Santini, Miriam Emple, Nadir Faustino e Zilda Savarezzi. Este no pêlo!!! Turma boa taí!!!

Tcháu!!!! Roberto Pavanelli.

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