A coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Dezembro 10, 2004

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Santo Amaro, de muitas tradições, guarda também em suas memórias as comidas que alimentavam aos caipiras de nossa amada terra. A simplicidade da nossa gente não afastava de sua inteligência o improviso na hora cozinhar. Começando pelos mais exóticos dos alimentos consumidos nestes rincões, temos Içá ou Tanajura, aquelas formigas grandes, de bumbuns avantajados. Para os antigos, uma verdadeira iguaria. Inspirado nos costumes indígenas, nossos antepassados assimilaram o costume e passaram também a comer esses insetos (alguns, até hoje). Com essas formigas se fazia uma deliciosa farofa. Quando não, eram torradas com água e sal, servindo de aperitivo. E com cerveja gelada, melhor ainda! O pão era feito em forno de barro à lenha, ao lado das casas de seus moradores. Quando não era pão, este era substituído pelo chamado bolinho de vento. Esse bolinho era feito de farinha de trigo, água e sal, às vezes com um pouco de fermento. Tudo isso misturado, era a massa frita em gordura quente, e estava aí o substituto do pão para ser saboreado com o cafezinho passado no coador de pano. O arroz com feijão estava quase sempre presente à mesa da nossa gente. Para variar, havia a sopa de feijão com macarrão, comida barata e substanciosa, normalmente servida no jantar. A carne, ou era da galinha ou de pato, criados no quintal, ou o leitãozinho, também alimentado domesticamente no fundo dos quintais. Quanto às verduras, eram todas produzidas em horta caseira, predominando a couve, alface, além de outras hortaliças, como a cambuquira, broto de abóbora cortado e refogado com tempero. Havia muita mandioca também. O milho verde era assado ou cozido. Do milho, havia o ritual de fazer pamonhas. As comadres se juntavam em torno de uma mesa, após colherem as espigas no milharal e passavam a tarde toda ralando as espigas e, ao milho ralado, juntavam o açúcar. Após, embrulhavam essa massa em palhas do próprio milho e ferviam em água, até tomar consistência, e tínhamos então as deliciosas pamonhas, feitas ao deleite de, não menos, deliciosas conversas. Destacavam-se nas festas os doces de abóbora com côco, as bananadas e o inesquecível doce de laranja. A laranja usada nesse doce era conhecida como laranja azeda ou laranja de burro. Nos festejos juninos predominavam a pipoca, o pinhão, amendoim e a batata doce assada no tição da fogueira. Já me sinto faminto porque não vejo mais essas comidas em nossas mesas. Hoje, estão me sugerindo matar a fome com feijão de corda, baião de dois e carne seca.

Tchau, que agora eu vou dormir de barriga cheia!!! Roberto Pavanelli.

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