A coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Fevereiro 07, 2004

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“UMA VIDA PONTILHADA PELO INTERESSE DE REALIZAÇÕES”. Esse foi o título dado a uma entrevista feita pela jornalista Maria do Carmo e publicada na Gazeta de Santo Amaro, em 05 de janeiro de 1961. O entrevistado era o Cel. Isaias Branco de Araújo. Um espírito notável, comerciante e político. Recepcionou De Pinedo e o Conde Matarazzo em Santo Amaro. Quem teve chance de conversar com esse homem, conversou com a própria história de Santo Amaro. Por ocasião desta entrevista, tinha o Cel. Isaias 82 anos de idade e estava extraordinariamente lúcido. De pescador chegou a Prefeito. Nasceu em 1878 no bairro do Socorro. Eleito vereador em 1911 e Prefeito em 1917. Foi Prefeito de Santo Amaro até 1929, tendo ocupado esse cargo durante 12 anos. Vivenciou de perto a epidemia da gripe espanhola de 1918, quando gastou muito dinheiro de seu próprio bolso no tratamento aos doentes. Disse até quanto gastou e com quem gastou: 800 mil réis com o Dr. Brenha Ribeiro; 4.297$200 réis com o farmacêutico Seu Arthur Franco Martins; 8.094$500 réis com a Farmácia Santo Amaro; 388$500 réis com o Sr. Ângelo Chiappin, pelo aluguel de aranhas que, para quem não sabe, não se trata do inseto da família dos araquinídeos, mas sim de charretes. Como Prefeito, disse Isaias, ganhava 200$500. Para equilibrar o orçamento explorava um porto de areia que, mais tarde alugou por 300$500 réis por mês. Seus companheiros de partido no PRP eram: Lulu Schimdt, José Guilger, Oscar Stevenson, Herculano de Feitas, João Ambrósio e Mimi Mariano, entre outros. Sobre a revolução de 1924, Isaias contou o seguinte: “Em 1924, aqui tornou-se asilo de muita gente da Capital. O povo santamarense começou a passar necessidade, peguei o meu Fordinho, indo até o quartel-general dos revolucionários e, debaixo de balas, consegui chegar. Voltei para cá com os mantimentos que fui buscar, para distribuir em Santo Amaro. Nesse tempo, foi tomada a Prefeitura. Fui com a minha família para o mato, pois cheguei a ser ameaçado de morte. Atravessamos o rio e nos refugiamos no sítio do Dr. Herculano de Freitas. Um mês depois voltei para tomar posse outra vez”. O eterno Prefeito de Santo Amaro encerrou aquela entrevista com a seguinte frase: “Espero com calma e serenidade o dia de encontrar-me com os que já se foram, meu cantinho já está comprado me esperando”. E assim, Santamaro conta seus causos!
Dados tirados da Gazeta de Santo Amaro, edição de 05/01/1961, pg. 01.

Tcháu mesmo, que eu vou contar uns causos para o Alexandre Moreira Neto e prô Geraldo Diniz!!! Roberto Pavanelli.

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