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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Junho 18, 2004
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“Com o coração nas botas”. Frase estranha, que identifica uma saudade. Saudade daquele povo, que se identificava pelos seus calçados amarelados dos tempos em que sua terra nada mais tinha para lhe dar, a não ser a paz dos cantos das aves e do revoar das andorinhas ao entardecer. Das chuvas de siriris em seus vôos nupciais que alegravam a criançada, em meio a uma correria travessa, cuja balbúrdia atrapalhava a serena conversa dos adultos, que se enriqueciam com a troca de suas experiências de vida. Saudade da troca do olhar matreiro e cheio de malícia da recatada juventude que por estes cantos vivia, investindo no amor e na paixão e que germinaram os patriarcas e matriarcas de famílias honradas que sucederam outras tantas em nossa sociedade. Saudade de ouvir o silêncio do Largo Treze de Maio, fato de impossível compreensão, para aquele que hoje se atreve a passar por lá. Saudade cantada pelo poeta que diz –“Eu daria tudo que eu tivesse, pra voltar aos dias de criança, eu não sei porque que a gente cresce, se não sai da gente essa lembrança”. Vendo hoje minha terra e o estado em que ela se encontra, lembro-me de outra musiquinha onde a sabedoria popular novamente impera, e que dizia. - “Quem eu quero não me quer, quem me quer mandei embora”. Por tudo, às vezes me pergunto: Por que mandamos embora a vida feliz que tivemos, se podemos vivê-la da mesma forma até a morte? No caso de Santo Amaro, como de resto em toda São Paulo, não pudemos controlar a explosão demográfica. Mas, se tivéssemos sido menos omissos, pelo menos nossos rios e represas talvez conservassem a pureza do passado que não volta mais. Se tudo isso fugiu do nosso controle, resta-nos, pela lembrança do nosso passado, quando éramos reconhecidos por nossas botinas, mantermos nossos corações nela, para que a vida, que nossos antepassados tiveram por aqui, jamais caia no esquecimento, porque aí, sim, estaremos todos sem nossa honrosa identidade. Daí materializarmos no Troféu Botina Amarela, as nossas lembranças, a nossa saudade e nossa identidade, homenageando pela décima vez, aqueles que sempre carregaram seu coração em suas amareladas botinas. Até o dia 24 próximo, às 19,30 horas, na Av. Prof. Alceu Maynard de Araújo, n°. 32, Vila Cruzeiro, Santo Amaro, com a décima premiação do Troféu Botina Amarela, quando a diretoria do CETRASA – Centro das Tradições de Santo Amaro aguarda a presença de todos.
Um abraço.
Roberto Pavanelli.
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