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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Maio 14, 2004
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Certa vez, Napoleão perguntou a madame Stael: "Em que época deve-se principiar a educação de uma criança?". "Cem anos antes de seu nascimento", respondeu a inteligentíssima senhora. Aí me pergunto: O que ela quis dizer a Napoelão? Tenho comigo, que o que ela teria dito a Napoleão é que o homem bem formado é aquele que, quando criança, deram-lhe oportunidade de conhecer sua história e nela buscar exemplos de vida. Aí, chego a uma conclusão. Porque existe um grupo de homens cujo caráter e a honradez compõem os principais aspectos de sua personalidade. Pensando nisso, me transporto à sociedade santamarense e vejo nela pessoas com características típicas daqueles que vivem em decorrência daquilo que puderam assimilar na história de seu bairro cidade. Santo Amaro, no início do século, era habitado por pessoas que cultivavam o convívio social, tal como se vivessem em uma única entidade familiar, e dentro uma única casa. Essa casa, nesse texto, tem um sentido figurado, mas é impressionante em minha mente como consigo visualizá-la, como se nela tivesse vivido. Vejo um grande quintal, formado por uma periferia cheia de vegetação, cortada por caminhos de terra batida, que nos levava a vários cantos como, porto dos Ingleses, Socorro, Interlagos, Pedreira, Vila Isa, Campo Grande, Brooklin, Jardim São Luiz, Penhinha e outros cantos. No meios desses cantos um enorme lago. Bem próximo à casa havia um jardim. O Jardim de Santo Amaro; o jardim da nossa casa. Nessa casa, que era composta de vários cômodos, a sala de visitas era o então Largo Treze de Maio. E era nessa sala que as pessoas se reuniam para prosear. Nessas prosas, fazia-se a interação das idéias, dos princípios de vida, da amizade, do amor ao próximo e do respeito a natureza. Era nessa sala que se comemoravam as datas festivas, quando a casa se enchia de luminosidade e alegria. Hoje, a nossa casa foi desapropriada pelas circunstâncias da vida, e por um Estado poderoso contra o qual não podemos lutar. Porém, na mesma medida que vejo esse poder expropriante demolir nossa residência, vejo também que ele não teve forças para destruir os princípios que os membros daquela família conseguiram assimilar em suas mentes, exatamente na proporção em que os antigos santamarenses ainda curtem aquele amor que nutrem uns pelos outros, e que adquiriram da sua história. A madame Stael, ao responder a Napoleão, tinha realmente razão. Neste mês de Maria, que também é da sua mãe, da minha mãe e da mas mâes de todos nós, reverenciamos a todas elas, que nos deram o poder da vida.
O Cetrasa avisa que em junho teremos a premiação do Troféu "Botina Amarela", versão 2004.
Ditado santomarense: "Sapo de fora não chia..."
Tchau!!
Roberto Pavanelli
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