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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Outubro 22, 2004
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Os tempos eram aqueles da chamada guerra fria. A extinta União Soviética vivia fazendo careta para o todo poderoso Estados Unidos da América, enquanto este difundia, que o regime que imperava dentro daquele país era o mais cruel e desumano possível. Chegavam até a dizer que os comunistas comiam criançinhas e, se tal regime viesse ao Brasil, teriamos que dividir nossas casas com os pobres sem-teto, como hoje são chamados. Diziam que tais pessoas passariam a ocupar metade de nossas camas. Pior de tudo isso, é que os nossos governantes da época pareciam acreditar nessa conversa, tanto que, nada faziam para desmenti-la. Os Estados Unidos, por sua vez, procuravam ajudar os países pobres da América Latina, criando um programa chamado “Aliança para o Progresso”, que tinha, entre outras coisas, a finalidade de distribuir benesses para os países do cone sul americano. No meio desse “rolo” todo, ocorreu um crime que causou grande comoção no mundo, pelo menos pelas nossas “bandas”. Foi o assassinato de Presidente John F. Kennedy, cuja família mais parecia uma daquelas chefiadas pelos velhos coronéis do nordeste brasileiro, ou seja, dominavam a política americana. Na verdade, nenhum deles tinha razão. A União Soviética sucumbiu e os americanos perderam seu maior ídolo. Mas porque eu, que só falo da minha Santo Amaro, estou tocando neste assunto? É que, exatamente enquanto fervia a guerra fria por lá, aqui em Santo Amaro, mais precisamente em 1963, numa rapidez impressionante se construía uma biblioteca que, para os nossos padrões, parecia gigante. A iniciativa foi do saudoso Prefeito Prestes Maia, e a obra acabou se transformando, pelo menos na época, na 3ª maior biblioteca da América Latina. Lembro-me que por ocasião de sua inauguração, em 4 de abril de 1965, o chafariz colorido que compunha a entrada do majestoso prédio tornou-se a grande atração de Santo Amaro, e as pessoas para lá se dirigiam, somente para ver jorrar as águas coloridas, em meio ao seu grande jardim frontal. Taí a lembrança dos Kennedys. Após inaugurada, o senador Robert Kennedy, irmão do presidente americano assassinado, em visita ao Brasil, veio ao nosso bairro e descerrou uma placa comemorativa com os seguintes dizeres: “Pelos seus esforços em favor da educação e cultura da humanidade”. Êta Santamaro danado! Bom mesmo seria, se a fonte luminosa ainda estivesse lá, né?
Tchau!!! Roberto Pavanelli.
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