A coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Setembro 22, 2005

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Li no Diário Oficial do Município do último 1º de outubro, uma verdadeira apologia ao nosso Bairro denominado Capela do Socorro. Numa análise bem apurada, apresenta uma cruel realidade da degradação de uma região que já foi o maior pólo turístico da Capital Paulista.

Nasci lá, mais precisamente numa pequena rua, travessa da Av. de Pinedo, Rua Morais Navarro. Lá ainda existe a modesta casinha, de onde tive os primeiros contatos com a vida. A primeira infância da minha vida, desfrutei de um verdadeiro paraíso, envolto por uma mata exuberante que abrigava uma fauna não menos linda com muitos pássaros, que alimentavam a felicidade de nossas almas. Como era linda a Av. de Pinedo toda arborizada, quando recebia nos fins de semana uma verdadeira multidão de pessoas que vinham do Centro de São Paulo para fazer "pic-nics" domingueiros à beira da reluzente Represa do Guarapiranga, onde as pessoas podiam desfrutar de inesquecíveis passeios de barco até a Rivieira e outras cercanias, sobre tão belas águas que tremulavam ao sabor da brisa.

O Socorro se apresentava festivo nos finais de semana, com vendedores de balões inflados e coloridos, pipoqueiros, algodão doce, quebra-queixo e outras guloseimas que faziam a alegria da garotada. Lembro-me de uma das mais antigas linhas de ônibus que ia da Represa ao Jd. São Luiz, principal meio de transporte do povo da Capela ao Largo Treze de Maio. Interlagos, que sempre foi um local próprio de diversões, ainda guarda essa característica, que lembra, guardadas as devidas proporções, a cidade de Lãs Vegas, com seus luminosos coloridos na Av. Robert Kennedy.

Perdemos, porém o tradicional Restaurante Interlagos. De lá, guardo na lembrança o antigo hidroavião, que com seus passeios aéreos, levava o paulistano conhecer Santo Amaro visto das nuvens. E a nossa Represa então! Ela era linda! Reluzia brilhante ao entardecer daquelas tardes que não voltam mais, tempo que também arquiva em suas memórias, os tempos em que os sitiantes matavam sua sede nas águas da Represa, usando a palma de suas mãos.

Hoje, envelhecemos todos. Nós pela ação implacável do tempo. A Represa, pela omissão de todos nós!

Tchau!!! Roberto Pavanelli.

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