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Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli
Setembro 22, 2005
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Óia eu aqui de novo! Desta vez para homenagear uma senhora negra que fez
parte importante da história recente de Santo Amaro. Em 1900, nascia na
cidade de Bofete, neste Estado, uma pequena menininha negra, resultado da
união de Silvano Martins e Mariana Martins. Deram-lhe o nome de Benedita e,
como exemplo da tradução de seu próprio nome, bendita foi ela entre as
mulheres santamarenses.
Enfermeira, ao tempo em que os profissionais em
obstetrícia eram raros e, quando não raros, os parcos recursos do povo
humilde deste rincão impedia as pessoas de se valerem dos serviços médicos
especializados. Assim, tornou-se a Benedita a parteira mais conhecida de
toda nossa região. Esse reconhecimento não era apenas pelas suas habilidades
como parteira, mas sobretudo, pelo seu apurado sentimento de solidariedade,
já que era portadora de um coração maior que seu próprio corpo. Nas suas
caminhadas pelos sítios da periferia em socorro das parturientes, não só
socorria os rebentos que vinham ao mundo pelas suas sagradas mãos, mas
assistia também aos demais pequenos filhos da família, deixando-os todos, ao
final de seu trabalho, banhados e alimentados ao sair da residência
visitada. Para os partos que fazia nos pequenos casebres rurais do passado,
chegava improvisar biombo com seu próprio avental para garantir um mínimo de
privacidade durante os trabalhos dos nascimentos dos novos santamarenses que
por aqui chegavam.
Essa foi Benedita Martins, a DITA PARTEIRA, que até no
final de sua vida espalhou bondade e solidariedade em nossa terra. Sua
morte, em 5 de julho de 1978, causou verdadeira comoção entre as muitas
pessoas que a admiravam. Sua carreira teve início na Santa Casa de Santo
Amaro, onde ajudava nos partos, nas anestesias e nos assuntos
administrativos. Depois, passou a enfermeira chefe nesta mesma casa de
saúde. Dedicou muito de sua vida à Santa Casa e trabalhou ali até 1939.
Após passou a fazer atendimento domiciliar a todos que a procuravam. Quando
faleceu, residia na Rua Tte. Cel. Carlos da Silva Araújo, próximo à Pça.
Floriano Peixoto. Teve seu atestado de óbito assinado pelo tradicional
médico santamarense Dr. Sérgio Villaça Braga. Seu sepultamento se deu no
Cemitério de Santo Amaro.
Com saudades seu povo agora tentará homenageá-la
denominando um dos nossos logradouros de Benedita Martins - Dita Parteira,
para que a mãe dos Santamarenses jamais caia no esquecimento.
A ela, que
tanto amor distribuiu entre nós, rogamos que interceda pela nossa felicidade
e pelo retorno à nossa terra dos velhos e felizes tempos de outrora.
Tchau!!
Roberto Pavanelli.
Triste, digo Tchau!
Roberto Pavanelli
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