Roberto PavanelliA coluna do CETRASA
Centro das Tradições de Santo Amaro.
por Roberto Pavanelli (foto à direita)
Julho 7, 2006

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Zé Carudo

Na medida em que a idade vem chegando, nossas cabeças começam ter dificuldade de segurar as informações que a cada dia entopem mais a nossa memória. O incrível porém, são a imagens antigas, que se encontram gravadas em nossas lembranças desde nossa infância, e que são aquelas que nos acompanharão para todo o sempre.

Entre essas lembranças, as de algumas pessoas que, as vezes nem tiveram grande importância em nossas vidas, mas que por alguma peculiaridade ou detalhe, acabam ficando dentro de nós. Todos nós temos isso em comum, não é verdade? Eu, por exemplo, não esqueço do Zé Carudo dentro do seu boteco, imagem que trago comigo desde criança. Não sei porque. Talvez seja pela própria fisionomia do indigitado balconista. Seu boteco ficava na esquina da Avenida de Pinedo com a Rua Amaro Leite, Socorro, minha passagem obrigatória para ir ao grupo escolar da Represa na Rua Marcílio Dias. Sua cara justificava o apelido, era enorme e sisuda, suficiente para provocar medo em qualquer criança, ainda que não muito pequena. Sua atividade diária era ficar debruçado sobre os braços cruzados sobre o balcão de seu comércio, que também era outra coisa de medo. Um barzinho dos anos cinqüenta, com balcões de madeira escura e ambiente pouco iluminado, cujo cenário fomentava sonhos macabros com assombrações e mulas sem cabeça.

Apesar de tudo, era o Seu Zé Carudo, homem de bom coração, pessoa de quem nunca se ouviu falarem mal. Conto isso, porque sei que cada um de nós deve ter a lembrança de uma personagem do passado que enfatiza nossas saudades dos nossos tempos de criança.

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